domingo, 12 de fevereiro de 2012

REMBRANDT: A volta do filho pródigo

(Auto-retrato, 1627) 
Rembrandt Harmenszoon van Rijn foi pintor e gravador. Nasceu em 1606 em Leiden e morreu em Amsterdã, em 1609; aos trinta anos já era rico e famoso, mas morreu falido e esquecido.  É considerado, por alguns, o maior pintor de todos os tempos. Faz parte de um tempo denominado “século de ouro dos Países Baixos’, quando a influência política, a ciência e a cultura holandesas — particularmente a pintura — atingiram o mundo inteiro. Rembrandt foi mestre de muitos, inovador e inquieto, dono de vasta cultura. Destaca-se também pelos temas, mais especificamente três: a pintura sacra, os auto-retratos e os retratos de grupos. Fez mais de cem auto-retratos ao longo da vida,  o que nos deixa a possibilidade de um refinado acompanhamento de sua própria história, pois, os auto-retratos primam pela expressividade e detalhamento. Quanto aos grupos – moda no seu tempo – fez apenas quatro obras, mas estão entre as suas pinturas mais famosas, em especial a Aula de Anatomia
 (Aula de anatomia, 1645)
Em vários de seus trabalhos bíblicos, incluiu-se como personagem, sua outra característica de autor. Ele foi ainda um famoso gravador, arte que apreciava tanto quanto a pintura, e por algum tempo, foi mais reconhecido pela gravura. Aqui também foi inovador, criando técnica própria, aperfeiçoando e simplificando técnicas existentes. Rembrandt  foi sobretudo um analista de seu tempo; é certo que a Holanda deve muito do conhecimento de sua história a ele. Foi em 1609 que a Holanda libertou-se da coroa espanhola, afirmando sua identidade nacional – de idioma, cultura e religião. Esse movimento de auto-afirmação fez, de fato, o apogeu holandês; nesse momento, Amsterdã tornou-se uma das maiores cidades da Europa, e o país, uma democracia burguesa forte e dominante. A predominância do espírito da classe média vai marcar arte holandesa tanto em sua temática – retratos, paisagens, cenas da vida cotidiana – como no estilo – o chamado Naturalismo. É também no século XVII que a Holanda marca presença no Brasil (entre 1630 e 1654, praticamente todo o nordeste brasileiro esteve sob domínio holandês. As pinturas de Frans Post, Albert Eckhout e de Zacharias Sagener, entre outros, são as primeiras representações pictóricas não religiosas feitas no Brasil)


A parábola da volta do filho pródigo diz da misericórdia divina, um esteio da doutrina cristã. O quadro de Rembrandt é preciso na exaltação desse sentimento. O foco cai sobre os dois personagens centrais, que parecem viver uma intimidade única, misteriosa e indiferente aos personagens que os rodeiam. 
O velho pai acolhe silenciosamente o jovem maltratado pelos caminhos do mundo, enquanto as testemunhas que parecem não compreender, surgem em posições e expressões diversas: curiosidade, estranheza, indiferença. É um perfeito exemplo da grandiosidade e originalidade de Rembrandt, expressando as profundezas sensíveis da humanidade.

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