quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Vermeer. E...

Delft, a cidade de Vermeer. Vermeer, o pintor de Delft. A vista de Delft, um dos mais belos quadros do mundo, que matou um dos personagens de uma das maiores obras literárias do mundo, Bergotte, Em busca do tempo perdido, Proust, o amante das artes, o amante de Vermeer, amante da luz e da moça do brinco de pérola, que se tornou um belíssimo filme de 2003, dirigido por Peter Weber, aqui já comentado, aplaudido, que quase conseguiu a luz que só Vermeer conseguiu capturar para nós, e assim, de alguma maneira dizer-nos que a imortalidade existe e é luz, ou matemática, talvez, tal a precisão, ou abstração, ou o absurdo da imortalidade, e o disse primeiro, talvez, a Proust, e eu, pobre de mim, um dia lia a história do murinho amarelo num pedacinho da vista de Delft, de Vermeer, que matou Bergotte e salvou a Proust, talvez, e jurei a mim mesmo que seria sublime morrer assim, pois afinal somente eu, eu, euzinha, sabia que Bergotte de Proust morrera diante de Vermeer, pobre de mim que logo logo descobri que multidões, cegas como eu, procuravam, e procuram, a luz, de Vermeer, da vista de Delft, de Proust... E encontram a melancolia, talvez. Ou talvez se encontrem, as multidões e a imortalidade, em Vermeer, onde se encontra a serenidade e o silêncio, a solidão, a quietude... o presente. Agora.


Johannes Vermeer nasceu em 1632 em Delft, e morreu em 1675 em Delft, pobre, muito pobre. Quase esquecido, redescoberto no século XIX, não se sabe muito sobre ele; dizem alguns que ainda existem quadros seus a serem descobertos, outros que alguns quadros a ele atribuídos não são dele. Precursor da fotografia, 250 anos antes? Primeiro impressionista? Descobridor da ‘luz de janela’? Não se pode saber tudo. Ou se sabe tudo o que se pode saber de um artista: autor da vista de Delft.


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