domingo, 4 de março de 2012

CINEMA, CINEMA, CINEMA.....




 Podemos, e queremos, continuar na linha: encarar temas difíceis. Então, desde já, parabéns para Em um mundo melhor de Susanne Bier. Podemos verificar as diversas críticas feitas ao filme: eurocentrismo, clichês sobre a África, simplificação do complexo tema da violência, incapacidade (li também irresponsabilidade...) para conectar violência na vida privada e na vida pública, maniqueísmo, infantilidade do foco no indivíduo... E queremos discordar de tudo isso. Eurocentrismo: claro! O mundo gira em torno da Europa há séculos, e a única maneira de rever isso é, antes de tudo, reconhecer (re-conhecer, re-ver, re-considerar...). Clichês sobre a África: sol, cor, pobreza (miséria!), violência, dependência... Pura hipocrisia! Qualquer um, razoavelmente informado, sabe que África é muito mais do que isso que se vê; mas, isso que se vê, está lá também! (tanto quanto aqui, em outras cores, e outras dores; a miséria é miseravelmente dolorosa em todo tipo de abandono). Clichê só dura enquanto não se o desconstrói, ou seja, não será negando-o. Simplificação do tema violência: o tema violência é simples! É auto-reprodutivo exponencialmente, começa em casa (Sim! Quem não sabe disso?), e vira guerra e gozo... (alguém se esqueceu das motivações ‘pessoais e rixas familiares’ no primeiríssimo tempo das grandes guerras? Aliás, existe mesmo guerra pequena?). Vida privada e vida pública... oh, céus, isso já foi pras cucuias há tempos, e é grave. Sim, é grave porque exige novos conceitos, novas abordagens, novas compreensões... Maniqueísmo: grande problema é tratar dele se jogando no relativismo. Infantilidade no foco do indivíduo: ok, estamos atualmente estudando ‘neuromagma’... Vamos lá? ( e agora, uma aborrecida sensação de que clichês mesmo são todas essas críticas. Parecem-me tão velhas...) E de repente alguém diz: ‘isso daí não tem nada a ver com cinema... cinema não é filosofia’. Eu acho que tudo isso tem a ver com cinema, e cinema é tudo isso, e a filosofia também... Resumo da ópera: é por isso que tentamos manter um encontro com a arte sem data, sem fim, nem finalidade... senão apenas para contemplar, responsavelmente, a vida. Só contemplável num espelho. 
 Então, viram né?... O filme mexeu comigo. E para além de ser muito bem dirigido, bem fotografado, bem interpretado. É de se notar, por exemplo, a ênfase no movimento dos homens (sexo masculino). Interessante isso. História e direção de uma mulher. Mais interessante ainda. Será que...? Aguardamos com ansiedade. 


OSCAR – 2011 - Melhor Filme Estrangeiro// GLOBO DE OURO – 2011 - Melhor Filme Estrangeiro// EUROPEAN FILM AWARDS: - 2011 - Melhor Diretor - Susanne Bier

Perguntinha básica: é mesmo a economia que move o mundo?

 E antes que me esqueça: Obrigada, Rodrigo.

Um comentário:

  1. Bom, eu indico e empresto o filme, mas ganho com sua crítica e comentários. Obrigado por enriquecer a experiência.
    Rodrigo

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