terça-feira, 13 de março de 2012

Fictícias considerações autobiográficas

4.
Ele sentava-se à tarde em sua varanda e via o tempo passar. As pessoas voltavam para suas casas, findo o trabalho do dia, para assistir o pôr do sol e aguardar as estrelas. Os lobos, os grilos e os vaga-lumes começavam sua lida noturna aguardando o nascer do sol. Outros tempos.

5.
A buzina insistente anunciava a irritação da espera de um minuto. Do outro lado da rua uma fila comprida, muito comprida, dobrava a esquina. Esperavam por uma inscrição –? – e alguém os inscreve preguiçosamente.   Outro alguém se assusta com o ruído estridente de uma freada súbita. Seguem-se gritos. Choro de criança. Atropelamentos. Novos tempos.

6. 
Sento-me à escrivaninha diante da janela. Longe, muito longe, vislumbro os montes em verde cinzado. Entre mim e os montes, uma confusão de seres e de momentos incontáveis. Pois, são incertos. Ruídos. Nenhuma melodia. É preciso reinventar o tempo. Nasci em meados do século XX. Um dia, talvez, eu saberei o que significa isso. O primeiro que aprendi foi o não significado de todas as coisas. Há que desaprender.

Magda Maria Campos Pinto

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