quarta-feira, 14 de março de 2012

Fictícias considerações autobiográficas

7.
A primeira lembrança é medo. Não é sentimento, é lembrança. O medo causou meu primeiro amor, que foi pelos dicionários. E ficou eterno. Demorei descobrir seu sorriso, novo amor. E ainda eterno. Demorei descobrir sua sabedoria. Quase perdi seu amor. Ainda bem que seu amor era verdade pura. Ele era dono do tempo e da decisão. Muitas vezes ensinou-me as horas. Muitas vezes suportou meus erros e bandidagens. Teve sempre a certeza de que eu encontraria o caminho.

8.
Demorei descobrir sua maldade. Demorei descobrir seu furor. Quase me afoguei em meu amor. Ainda bem que meu amor é doce e verdadeiro. Sou dona de mim e do meu afeto. Muitas vezes suportei seus ataques. Muitas vezes vivi suas ausências e acreditei em suas mentiras. Nunca se lembrou de minha desorientação.

9.
Os corredores eram longos e frios. Os queixumes eram gritos abafados. A noite se prolongava eternamente. O sol não podia atravessar as paredes. Os dias de prisão foram anos, e as marcas no corpo estão em todas as horas. A desilusão é uma certeza cruel. A esperança é confiança que não se abala. As janelas, finalmente, abriram-se  naquela manhã.

Magda Maria Campos Pinto


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