quarta-feira, 14 de março de 2012

O Altar de Grünewald: exaltação religiosa

‘O Altar de Isenheim’ é um retábulo (estrutura ornamental em madeira ou pedra, com paineis com motivos religiosos, que se coloca na parte posterior do altar) pintado pelo alemão Matthias Grünewald entre 1506-1515. Obra grandiosa, foi realizada para o Mosteiro de Santo Antônio, em Isenheim, cujos monges cuidavam das vítimas da peste e outras doenças da pele. As imagens desenhadas refletem as dores e experiências dessas vítimas.
Composto por dois conjuntos, o retábulo exibe três configurações. Ele foi construído sobre um retábulo anterior, dourado, feito por Hagenauer por volta de 1490. Muito da obra original foi perdido durante a Revolução Francesa, e hoje ela é exibida aberta, desmontada, de maneira que as várias faces possam ser vistas separadamente. 

 Temos a crucificação de Cristo, ladeada por São Sebastião e Santo Antônio na primeira face; na segunda, a Anunciação e Ressurreição; e na mais profunda, A Tentação de Santo Antônio. Em todas as superfícies, esses temas principais são cercados por outros elementos religiosos, de toda a história do cristianismo (Santa Brígida, São João Batista, Maria Madalena, São Paulo, São João Apóstolo, anjos...). 

 A intensidade da cena central é tão impressionante que chega a afastar vários visitantes. O traço é propositalmente tosco, evidenciando a brutalidade da tragédia; a dor está congelada, e a morte está ali. Nunca se conseguiu repetir tamanha expressividade dolorosa na história da pintura. Plena de detalhes, rica em conteúdos, a imagem em seu todo provoca um assombro monumental. 

Abertas as portas, surge outro clima, outras cores: a Anunciação em azul e dourado, e uma Ressurreição surpreendente. Brilhante, gloriosa, plena exuberância. A terceira superfície surge anunciando outro momento: a tentação de Santo Antônio, uma mistura de aflição e determinação.  O conjunto completo tem cerca de nove painéis (pintura sobre madeira – tília) que formam um altar de 2,70 m X 1,50 m. Grünewald extrapolou as medidas de qualquer realismo, e por isso, é justo encontrar aqui um idealismo fantástico. O que não  se pode deixar de ver, e em exaltação, é uma ousadia prodigiosa, que faz teologia em pintura. 


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