terça-feira, 6 de março de 2012

Para Camila: pensando junto:


“Quanto à revitalização da crítica artista, seria preciso atentar para novas formas de inquietude e de angústia social, advindas precisamente de um mundo conexionista, com suas incertezas, dificuldades de  projetar um futuro, mas também com sua exigência constante de autonomia coercitiva. Uma tal exigência, sem a contrapartida de uma segurança mínima, torna-se precarização. A obrigação torturante de autorrealização ilimitada em condições mais solitárias, com novas formas de controle informático ou mesmo grupal, torna-se uma coerção mais pesada do que as anteriores já que procede dos pares, num espécie de policiamento permanente.
Também seria preciso examinar em que medida a crítica artista liberou algo que o capitalismo aproveitou largamente. ‘A aspiração das pessoas à mobilidade, à pluralização das atividades, ao aumento de possibilidades de ser e de se fazer, se apresenta como um reservatório de idéias quase sem limites para conceber novos produtos e serviços a serem colocados no mercado. Poderíamos mostrar que quase todas as invenções que alimentaram o desenvolvimento do capitalismo foram associadas à proposição de novas maneiras de se liberar’, e isso desde a parafernália eletrodoméstica, informática, até o turismo, a sexualidade, o entretenimento. Os autores aqui chegam a uma conclusão que nos interessa especialmente. O capitalismo mercantilizou o desejo, sobretudo o desejo de liberação, e assim o recuperou e o enquadrou.”

In Vida Capital – ensaios de biopolítica, Peter Pál Pelbart, Iluminuras, SP, 2003.
p.s: grifos meus.

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