segunda-feira, 16 de abril de 2012

SEMANA ‘QUASE-SER-TÃO’: Mia Couto


(...)
“Foi na água mais calma que o homem se afogou”.
(...)
“O médico escutou tudo isto, sem me interromper. E a mim, essa escuta que ele me ofereceu quase me curou. Então, eu disse: já estou tratado, só com o tempo que me cedeu doutor. É isso que, em minha vida, me tem escasseado: me oferecerem escuta, orelhas postas em minhas confissões. Veja a minha mulher, passa a vida falando com Deus. E eu vou ficando calado. Mesmo aos domingos de manhã: fico calado. Assim, silencioso, vou rezando. Que a gente reza melhor é quando nem sabemos que estamos a rezar: o silêncio, doutor. O silêncio é a língua de Deus.”

In Um rio chamado tempo, uma casa chamada terrra, Mia Couto, Companhia das Letras,SP, 2003.

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