quinta-feira, 19 de abril de 2012

SEMANA ‘QUASE-SER-TÃO’: Mia Couto


“Lhe entrego dinheiro, prometo, tenho dinheiro fora. Não duvide: são cifras, maquias e quantidades. Tenho e tenho. E dou-lhe tudo, totalmente. Mas me traga chuva, uma porção de chuva boa, grossa e gorda. Estou doido? Por causa de querer que chova aqui, dentro da prisão? Pode ser, pode ser loucura. Mas  a loucura é a única que gosta de mim. O senhor que é um inventador de realidades, me faça esse favor. Me invente, rápido, uma urgente chuvinha.’


In Contos do Nascer da Terra, Mia Couto, Caminho, Lisboa, 2002.

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