segunda-feira, 7 de maio de 2012

Adultos infantilizados/ Crianças adultizadas: eis a questão

Nesta temporada ‘MÃES’ em nosso clube, o assunto vem a calhar. Confesso a vocês que, na semana passada, a decisão judicial sobre indenização por ‘abandono afetivo’ foi, em mim, uma preocupação profunda e insistente. E também ao meu redor. Ouvi a angustiada constatação de um ótimo pai (sem ressalvas, inclusive de seus filhos, com 28 e 26 anos, respectivamente, e que o exaltam como pai maravilhoso): ‘estou bem cansado, eles agora demoram muito para amadurecer’.  E a grande maioria dos clientes reagiu, de uma maneira ou doutra. Faço minhas, novamente, as palavras de Eliane Brum. E fica o convite para a reflexão: essas questões não se esgotam neste artigo (longe de se esperar uma coisa dessas)... E dizem respeito a cada um, e a todos nós, sujeitos desse nosso tempo.

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“Luciane se coloca numa posição infantilizada. E me parece que ela encarna a posição infantilizada na qual todos nós nos colocamos ao permitir que o Estado legisle e arbitre sobre como devemos amar ou como devemos educar um filho. Como se jamais nos tornássemos adultos, na medida em que precisamos de um Estado-pai para nos dizer o que fazer. Um Estado que cada vez mais se arma do direito de entrar dentro das nossas casas e determinar como devemos viver.
São tempos curiosos. E o mais curioso é que a tese do “abandono afetivo” seja acolhida na mesma época em que a família já não é mais aquela. Nem sempre o pai biológico é aquele que assume a função paterna. Ou a mãe biológica é aquela que desempenha a função materna. As combinações, hoje, são as mais variadas. E nem sempre o pai que paga as contas é o pai que busca na escola, coloca a criança no colo, conta histórias antes de dormir, repreende um deslize ou conversa sobre a iniciação sexual da filha ou do filho. Pode ser – e pode não ser.
A função paterna pode ser assumida pelo padrasto, por um tio, por um irmão mais velho, pelo avô ou mesmo por uma mulher, em um casamento gay. E o mesmo acontece com a função materna. Para ser pai ou mãe, não basta gerar uma criança, é preciso “adotá-la”. E isso vale também para os pais biológicos. E nem todos conseguem ou desejam fazê-lo. Quem desempenha a função paterna ou a função materna é aquele que gerou uma criança e “adotou-a”. Ou aquele que adotou uma criança e “adotou-a”. São dois atos – e não um. E o segundo é mais difícil, demorado e cheio de percalços.”
Leia o artigo completo:

p.s: para não perder o hábito, 'en passant' sugiro um bom filme francês, 'O refúgio', de 2009, que toca a questão de 'abandono afetivo pelos pais', sem cair em dogmatismos ou pieguices e apontando para a responsabilidade do indivíduo.Para refletir a questão. 

Um comentário:

  1. Parabens a jornalista que, como sempre, coloca os temas mais controversos de uma forma cristalina e inteligente.

    Ate que enfim alguem que tratou o tema sem a hipocresia vista na midia televisiva.

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