domingo, 13 de maio de 2012

Uma mãe pra mim...


(morromata, de Cláudia RP)

(dia das mães)
Cláudia Roquette-Pinto
ESCRITA,
é sempre você quem me resgata
do limiar do iminente nada
que borbulha
em camadas de pensamento perigosos
e palavras,
cepas resistentes à droga da vida.
E no peito, que quase não respira,
(sobre o qual de bom grado recebo
o anel que aperta)
ouvir florescer
o buquê de promessas.
Assim, rainha
 - tão decalça quanto um rei de carnaval –
sob os pés os paetês de brilho fácil
se extinguem ao passo
que a cabeça-balão-de-parada
a cada meneio exibe
O sorriso de enforcado.

In Os cem melhores poemas brasileiros do século, Seleção Ítalo Moriconi, Objetiva, RJ, 2001

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