sábado, 9 de junho de 2012

CÓDIGO DE AMOR DO SÉCULO XII



1. A alegação de casamento não é desculpa legítima contra o amor.
2. Quem não sabe ocultar não sabe amar.
3. Ninguém pode entregar-se a dois amores.
4. O amor sempre pode crescer ou diminuir.
5. Não tem sabor o que um amante toma à força do outro amante.
6. De ordinário, o macho só ama em plena puberdade.
7. Prescreve-se a um dos amantes, por ocasião da morte do parceiro, uma viuvez de dois anos.
8. Ninguém, sem uma razão mais do que suficiente, deve ser privado de seu direito de amar.
9. Ninguém poderá amar se não for envolvido pela persuasão de amor (pela esperança de ser amado).
10. Geralmente o amor é expulso de casa pela avareza.
11. Não convém amar aquela que teríamos vergonha de desejar em casamento.
12. O verdadeiro amor só deseja as carícias feitas por quem ele ama.
13. Amor divulgado raramente dura.
14. O êxito fácil demais logo tira o encanto do amor: os obstáculos aumentam-lhe o valor.
15. Todo aquele que ama empalidece à vista de quem ama.
16. Trememos ao ver de modo imprevisto quem amamos.
17. Novo amor expulsa o antigo.
18. Só o mérito torna digno de amor.
19. O amor que se extingue logo cai e raramente se levanta.
20. Quem ama é sempre temeroso.
21. Pelo verdadeiro ciúme a feição de amor cresce continuamente.
22. Pela suspeita e pelo ciúme que dela deriva cresce a feição de amor.
23. Menos dorme e menos come quem é assaltado por pensamento de amor.
24. Tudo o que o amante faz termina em pensar em quem ama.
25. O verdadeiro amor só acha bom o que sabe agradar à pessoa amada.
26. O amor nada pode recusar ao amor.
27. O amante não pode saciar-se do gozo de quem ama.
28. Uma débil presunção faz com que o amante suspeite de coisas sinistras na pessoa amada.
29. O muito excessivo hábito dos prazeres impede o nascimento do amor.
30. Uma pessoa que ama está constante e ininterruptamente ocupada com a imagem do ser amado.
31. Nada impede que uma mulher seja amada por dois homens, e um homem por duas mulheres.

In DO AMOR,  Stendhal, Martins Fontes, S.P, 1993.


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