domingo, 8 de julho de 2012

EU NÃO ESTOU NA FLIP... mas meu canto é eternamente Drummond 5



REMISSÃO

Tua memória, pasto de poesia,
Tua poesia, pasto dos vulgares,
Vão se engastando numa coisa fria
A que tu chamas: vida, e seus pesares.

Mas, pesares de que? Perguntaria,
Se esse travo de angústia nos cantares,
Se o que dorme na base da elegia
Vai correndo e secando pelos ares,

E nada resta, mesmo, do que escreves
E te forçou ao exílio das palavras,
Senão contentamento de escrever,

Enquanto o tempo, em suas formas breves
Ou longas, que sutil interpretavas,
Se evapora no fundo de teu ser?

(in Claro Enigma, 1948-1951)


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