quarta-feira, 18 de julho de 2012

Lóri para Laura 4

 “Seus trabalhos foram muito discutidos: acusaram-na de falta de rigor, de não saber suficientemente as línguas que dizia conhecer e de baratear a antropologia (sua imensa popularidade era muito invejada), mas o certo é que , apesar das esforçadas tentativas por parte de seus inimigos de destruí-la, sua obra continua sendo, no conjunto, sugestiva e válida. De fato, Mead foi pioneira de um dos conceitos centrais da modernidade: a valorização das diferenças. Porque os deuses e suas leis eternas haviam morrido no século XIX, mas tinham sido substituídos pela lei do varão branco, ferozmente hierárquica; e foi necessário a chegada da segunda metade do século XX para que também esse poder desmoronasse e emergissem a diversidade e a periferia: mulheres, negros, outras culturas. “Cada diferença é de grande valor e digna de pareço,”, escreveu Mead num prólogo em 1962. Isso é o que mais me agrada nela: seu brilhantismo e sua coragem intelectual para repensar o mundo e para adaptar-se às vertiginosas mudanças de nossa época: “Temos de ensinar nossos filhos a vive dentro do vendaval”.

In  Histórias de Mulheres, Rosa Montero, Agir, SP, 2007.

p.s: esse livro parece-me precioso do ponto de vista de sua pesquisa e sua intenção. Entretanto ele se me revelou extremamente chato por insistir numa mesma leitura de histórias e fatos tão diversos: o desconhecimento e a violência contra a mulher. Essa tecla me soa antipática, reacionária e, sob certo ponto de vista, irracional. Isto é, passionalidade que desloca.

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