terça-feira, 10 de julho de 2012

POESIA: prosa de Vinicius de Moraes para Malu 2



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“Cada poeta é uma coisa em si, mas todos os poetas devem o mesmo à Poesia: a própria vida. Há, o poeta, que queimar-se sempre  e causar sempre mal estar aos que não se queimam. Há que ser o grande ferido, o grande inconformado, o grande pródigo. Há que viver em pranto por dentro e por fora,de alegria ou de sofrimento, e nunca dizer ‘não’ a ninguém, nem mesmo àqueles que optaram pelo não chorar. Há que também não ter o pejo do ridículo, da intriga ou da risota alheia. Quando Gide, ao ver Verlaine bêbado e maltratado , numa rua de Paris, por um grupo de jovens que o perseguiam e caçoavam com empurrões e doestos, contrariou voluntariamente o impulso de socorrê-lo  preferindo deixá-lo entregue a um destino que sabia já traçado – que grande página deixou de escrever sobre a covardia humana, sobre o mal de disponibilidade e a tristeza do egoísmo! Verlaine, o pobre Verlaine, talvez dentro os poetas o que mais amou e sofreu...” (...)

  A um jovem poeta, Vinicius de Moraes, in Poesia Completa e Prosa, RJ, Nova Aguilar, 1976.


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