domingo, 30 de setembro de 2012

SOMBRIO, PESADO E VERDADEIRO

 
Heidegger já nos ensinou que uma consciência permanente, sem intervalos, do ser-aí-ser-para-a-morte, seria pura perplexidade e paralisia. Assim é que, no mais do tempo, estamos alienados no cotidiano. Só assim podemos estar na vida, ou seja, alienados no mais das vezes. É o que se experimenta com a infernal clareza da angústia e do absurdo existencial que o FAUSTO de Sokurov nos apresenta. É um filme monumental. É difícil, é feio, é cruel. E hipnótico. Faz jus ao Fausto, a Goethe e ao prêmio de Veneza/2011. E definitivamente não é para passar um tempo. Dói.

FESTIVAL DO RIO/2012

 
Está acontecendo o mais charmoso e diverso festival de cinema do Brasil. É um paraíso para cinéfilos que correm para acompanhar uma programação tão diversificada e estimulante como o próprio país. Mais de quatrocentos filmes serão exibidos, incluindo o polêmico coreano PIETÁ, vencedor de Veneza/2012. A abertura (dia 27/09) foi feita com o filme brasileiro 'Gonzaga, de pai para filho'. Acho muito legal propor-se a contar nossa história (confesso: fui viciada em Gonzaguinha... era muito bom). Vamos acompanhar tudo. VIVA O CINEMA!

sábado, 29 de setembro de 2012

Homenagem para quem cria significado...

HEBE, justiça ao nome:
Incansável na caça à vida.

DE SARAH PARA O GRUPO DE ESTUDOS:

Uma linda versão do 'estranho familiar'... teria Maria Gadu lido Freud? E isso importa? Não, não importa. Isso só faz com que nos reconheçamos em ambos, em Freud e em Maria. Viva Maria Gadu! Linda!

Estranho Natural

Será que te conheço desde a infância
Será que na infância eu parti
Prum mundo imaginado por você
Ou por você um mundo veio

E a infância assim se foi

Meu canto hoje dobra as tuas notas
Me olhas como se fosse normal
Me coro ao seguir a tua rota
Meu abraço te amarrota
Meu estranho natural...


 p.s: Obrigada, Sarah. Boa aluna!!

SÉRIE PROFETAS DA MODERNIDADE

HANNAH ARENDT


Memória e profundidade são o mesmo; a profundidade só pode ser alcançada pela recordação.
Além da liberação das necessidades da vida, o exercício da liberdade exige o convívio com outros homens em iguais condições e da existência de um espaço público organizado.
Além de sua vida privada, uma espécie de segunda vida, o 'bios politikos', exclui tudo que seja apenas necessário ou útil.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

DO GRUPO DE ESTUDOS:

Sustentar o desejo não é apenas sustentar o desejo, mas antecipar com elegante consciência o seu decurso...


SERIE PROFETAS DA MODERNIDADE

HANNAH ARENDT


Autoridade e qualificação não é a mesma coisa.
Responsabilidade pelo mundo tem a forma de autoridade.
A autoridade exclui qualquer meio externo de coerção.
Onde há uso da força, a autoridade fracassou.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

DELINQUE-SE POR AÇÃO E POR OMISSÃO...



 Nossa missão aqui e agora é louvar a Suprema Corte do Brasil. Estamos diante de um monumento que faz jus ao dito ‘orgulho de ser brasileiro’. O Supremo Tribunal Federal no exercício de julgamento da ação que nesse momento se ocupa está demonstrando a fundamental importância da consciência da coisa pública. Ocupados que estamos no estudo da obra de Hannah Arendt para o esforço de compreensão do tempo contemporâneo, temos que contemplar essa corte como exemplo cabal de defesa do espaço público. Creio estarmos fazendo História. Sim, com maiúscula. Reconstruindo a esfera pública. E a nossa consciência política.
 As diferenças individuais entre os senhores ministros não importam. Servem (e isso é relevante) para as conversas de mesas de bares, para o boca a boca fundamental que estabelece a consciência coletiva dos fatos. Inclusive nisso o STF está cumprindo seu papel com ampla dignidade. O título do post é da lavra de Sua Excelência Ministro Ayres Brito, em seu saboroso humor e sotaque nordestinos. Só podia ser poeta! Sim, estamos colhendo as impressões sobre cada um para alimentar nossa conversação. E para celebrar o acontecimento verdadeiramente político que estamos assistindo.  

SÉRIE PROFETAS DA MODERNIDADE

HANNAH ARENDT


 O pensamento reflexivo descongela o que a linguagem congelar como pensamento
Há perigo na atividade pensante: desconsiderar o pensamento seguinte. Maior perigo é o hábito de não pensante.
Obediência não é uma boa palavra no vocabulário moral e político.

"... mas todos os que não são maldosos, que não têm motivos especiais e, por essa razão, são capazes de um mal infinito".

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA 2012

 
 Bartolomeu Campos de Queirós, com o livro Vermelho Amargo, da Cosac Naify, e Suzana Montoro, com Os hungareses, da editora Ofício das Palavras, são os grandes vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2012. Prestigioso prêmio, deve ser bem festejado pelo grande incentivo dado à literatura brasileira. Bartolomeu é dono de vasta e bela obra. Embora bem reconhecido merece mais, muito mais. Esse prêmio vem validar um legado importante. Suzana, autora de dois livros infanto-juvenis, recebe o prêmio de estreante. 
 
imagem ilustrativa

Viva a literatura !

SÉRIE PROFETAS DA MODERNIDADE

HANNAH ARENDT


 A banalidade do mal
A gravidade da irreflexão, da falta de imaginação
A indiferença devastadora
A própria perplexidade: único modo de ensinar pensamento


terça-feira, 25 de setembro de 2012

SÉRIE: o que está por vir.

 Trouxe-lhe o vizinho.
E, desde já, peço-lhe desculpas por necessitar trazer-lhe junto uma nova recordação, hoje sob a forma de texto. Deixo que você leia, e ouça apenas o violino. Não era verdade que tudo havia se esgotado, por isso quando a noite voltou, eu me vi tomado pela angústia que se tornou essa carta. Escrevi: verdadeiro horror é quando a vítima sobrevive. E goza! Quando não existe terra, muito menos jardim. Imagine a rosa! Maiakovski não imaginaria. Quando o pai perdeu o tom. Quando a mulher, um sorriso amarelo. Quando alguém já pediu ‘não me apareçam quando eu morrer’. Quando gostar é coisa que já se desconhece há muito. Dizia eu que a tolerância é quase a maior. Quase. Precioso quase que nos salva. Tão bom ser artista. Compreender não é uma questão, muito menos uma necessidade. No corpo e nos ditos estão todas as mentiras, por isso louvo a Freud e a Kafka. Evoco. Quando a angústia de ser, emperra. E só a perplexidade perdura. Quando a melancolia já tomou vergonha na cara e não tem mais a cara de aparecer. Quando desejar um filho é uma questão de tédio. Quando ser politicamente incorreto é a questão. De ser, é claro. Metafisicamente falando. Quando o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens. Ah, Drummond, salva-me de ti! (Fernando Pessoa não vai se importar, é claro). Bom violino para você.

Magda Maria Campos Pinto

 

PELA EDUCAÇÃO:


Educar é preparar para ser no mundo. Isso significa, entre outras coisas, reconhecer (ou criar, ou apreender...) outro espaço, que se chama público. Necessariamente, com mal estar. É estruturalmente assim. Lembremos Freud, e também Hanna Arendt que estamos estudando no momento.


VENCEDORES DO 45º FESTIVAL DE CINEMA DE BRASÍLIA



Os vencedores do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foram anunciados ontem. Festa bonita para o cinema nacional e, em especial, para o cinema pernambucano, que venceu e convenceu. O cinema de Pernambuco aparece com uma identidade forte e deixa-nos com expectativa deliciosa (aliás, delicioso é um adjetivo que cai bem ao nordeste brasileiro). As produções “Eles Voltam”, de Marcelo Lordello, e “Era uma vez eu, Verônica”, de Marcelo Gomes dividiram o prêmio de melhor filme. E Maria Luiza Tavares, de 15 anos, foi a melhor atriz. Vimos originalidade com qualidade e beleza.
O curta-metragem “A Mão que Afaga”, de Gabriela Amaral Almeida levou sete prêmios, incluindo melhor filme segundo o júri popular e melhor atriz para Luciana Paz, que interpreta uma solitária atendente de telemarketing. VIVA A CINEMA NACIONAL!!


Mostra Competitiva - Longa-metragens de Ficção:
 Melhor Filme/Júri Oficial: Era uma Vez Eu, Verônica / Eles Voltam
Melhor Filme / Júri Popular: Era uma Vez Eu, Verônica
Melhor Diretor: Daniel Aragão (Boa Sorte, Meu Amor)
Melhor Ator: Enrique Díaz (Noites de Reis)
Melhor Atriz: Maria Luiza Tavares (Eles Voltam)
Melhor Roteiro: Era uma Vez Eu, Verônica

Mostra Competitiva - Longa-metragens de Documentário:
 Melhor Filme - Júri Oficial: Otto
Melhor Filme - Júri Popular: Elena
Prêmio Especial do Júri: Um Filme para Dirceu
Melhor Diretor: Petra Costa (Elena)
Mostra Competitiva - Curta-metragens de Ficção:
 Melhor Curta - Júri Oficial: Vestido de Laerte
Melhor Curta - Júri Popular: A Mão que Afaga
Melhor Diretor: Eduardo Morotó, Marcelo Martins Santiago e Renan Brandão (Eu Nunca Deveria Ter Voltado)

Mostra Competitiva - Curta-metragens de Documentário:
 Melhor Curta - Júri Oficial: A Guerra dos Gibis
Melhor Curta - Júri Popular: A Ditadura da Especulação
Melhor Diretor : Liliana Sulzbach (A Cidade)