domingo, 16 de setembro de 2012

DA SÉRIE: o que está por vir.

Tudo mudava quando eu entrava lá dentro, naquele imenso espaço cheiroso, fresco, onde uma luz difusa, refratada por vitrais de mil cores, pontilhava o espaço com impossíveis pingos multicoloridos; e o cheiro era bom... por certo era o cheiro de Deus! Quando eu entrava ali, os olhos que vigiam, que caçam, ficavam lá fora e, dentro, ficava eu e a paz cheirosa. E também um silêncio só música... Música de vida que era silêncio, pois não eram ouvidos que a ouviam, era cada poro, cada mínimo poro ouvia uma música que tornava-me só ser agora. Sim, eu começava a ser quando me quedava ali, tornando-me irremediavelmente outro. Sim, meu corpo era outro, ou seja, nada meu. Pode ser que seja  emergência de alma. De emergir? Não sei, eu era outro. Bom sentir. Todo sentir tudo ao mesmo tempo. Foi assim que se implantou em mim o gosto de Deus e do indomado. Com tempero de segredo. Wolf é ainda mais bonito quando dorme assim, tão a descoberto.
Magda Maria Campos Pinto


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