terça-feira, 4 de setembro de 2012

Para o Beto:


Arcturus, a bela estrela pertencente à constelação do Boieiro, é citada por Homero na Odisseia.
Cerca de 3000 anos a.C. o Boieiro era uma constelação circumpolar, próxima de Tubã, a estrela polar desse tempo. Daí, talvez, a ideia de que perseguia a Ursa Maior, então chamada carro ou charrua (a palavra Bootis deriva do sumério Riv-but-sane, o homem que conduz o Grande Carro). O nome Arcturus tem etimologia confusa, é uma questão polêmica para os lingüistas. Arcturus viria do grego arctos, isto é "na cauda"; mas os gregos também chamavam a constelação de Arctophylax, o guardião da Ursa, como podemos ler em "O Trabalho e os Dias", de Hesíodo (séc. VI a.C.). É também Arcas, o filho de Calisto, a bela ninfa metamorfoseada em ursa por ciúmes de Juno. Daí, o significado gira em torno de ‘homem urso’, ‘homem forte e brilhante’, ‘homem único’.
Como já contamos, noutra lenda grega Boieiro representa Icário, a quem Dionísio escolheu para ensinar à humanidade a arte de fazer o vinho. Segundo Eratóstenes, foi à volta de um odre de vinho "que pela 1a vez os homens dançaram". Para obedecer ao deus, Icário viajou à Ática e deu a nova bebida a vários pastores. Estes se embriagaram e, julgando-se envenenados, assassinaram-no. Sua filha Erigona foi conduzida pelo seu fiel cão, Maera, ao local onde o tinham enterrado. Erigona não resistiu ao desgosto: enforcou-se num pinheiro. Dionísio transformou-os em estrelas: Icário no Boieiro, Erigona na Virgem e Maera em Procion. Nas cerimônias do culto de Dionísio, Icário, Erigona e Maera, eram adorados com libações.
Arcturus, era para os gregos, e mais tarde para os romanos, um sinal de mau tempo. "Terrível quando nasço, ainda sou mais terrivel quando desapareço", diz o próprio Arcturus numa peça teatral de Plauto (séc.I d.C.).

Nenhum comentário:

Postar um comentário