quinta-feira, 20 de setembro de 2012

SÉRIE: o que está por vir.


Chove. Tentação dizer lá fora. Rio. Ridículo, mas chove lá fora, há um ruído discreto e permanente, são dias tais como hoje, não ria você, você não, já é noite, ou melhor, é bem manhãzinha, tipo uma da manhã, dia 29 ou dia 30, é isso, um dos dois, e o Chico está há dias, desde o natal parece-me, tocando no meu espaço, nunca, nunca isso aqui foi tão confortável, tão farto. Você acha estranho eu dizer assim ‘Chico’, só isso, como se... Ah, não me perturbe, digo, eu sou brasileiro, penso que posso. Uma coisa que eu gosto de brasileiro é essa insistência na alegria. Sem metafísicas, por favor, hoje não. Estou cansado e triste. E alegre por ser brasileiro hoje. Meu agora, meu quarto, minha janela, a varanda, chove lá fora, Chico canta como encantado, incenso, marijuana (corrija isso, isso chama maconha, que coisa mais besta aquela palavra), tomei pílulas para dormir, estou dormindo bem fora do normal, tipo dormindo durante o dia, e agora, tipo duas e tanto da manhã, e tomei tantão de remédio pra dormir, estou cansado, e começo a descansar, sinto-me algo culpado, fiquei desconectado, fora do ar por mais que um dia, sem internet, sem energia por algumas horas, muita chuva, barra, super barra isso, difícil passagem, seja entrada seja saída. Ela se foi. Foi bem. Foi bom. Estou bem, não interessa a ninguém como eu me sinto. É isso. Chico... papai tá lá na roça, não me faça rir, pra ser um tutumarambá, vem que eu te quero todo meu, rio, das chuvas que apanhei, que quero te mostrar as marcas que eu ganhei, uau, juro que fazia sentido, juro que isso faz sentido sempre e quando, qualquer coisa, quando qualquer trem venha a fazer sentido. Meu corpo. Uau. Isso está muito difícil. Tenho tudo o que eu quiser. Estou sentindo-me muito estranho. E Minas não há mais. Pois é. Você leu? Chama-se Uma solidão ruidosa, Bahumil. Mas não é nada disso.
Magda Maria Campos Pinto

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