sexta-feira, 21 de setembro de 2012

SÉRIE: o que está por vir.

Parece-me falta de imaginação. Não me importa o que parece. Apenas escute, por favor. Queria sentir sono, queria dormir dormir domir. Não me importa se dizem que durmo demais. Quero dormir mais que esse tanto que dizem que estou dormindo, quero dormir só (lembrei-me de que sonhei com o Líbano, talvez Síria... não importa, para variar eu estava perdido), melhor dizer logo que não vou tomar remédio, sei o que isso quer dizer, estou em pânico, não quero ficar aqui, ou quero? Não, não, isso está decidido, não fico aqui, meu lugar é lá, onde tudo deveria ser, ser lá, sei lá, seria escuro? Saudade de alguma inocência, todo mundo sabe disso, sabe da minha inocência, eu não sei, inocência que tão de repente posso atribuí-la a mim, tudo está bem, eu disse, mas ainda não sei, difícil sustentar isso, alguma coisa estava muito bem agora, alguma coisa, eu estava apenas cansado, você também estava, dizia isso o tempo todo, mas não sei se você sabia tudo o que você dizia, por exemplo, foi esquisito aquela história de dizer-me que o pior era saber que eu iria passar por aquilo, ou seja, por isso que estou passando agora, muito difícil, meu susto, meu engolir seco, seu susto, sua recuperação, ‘nesta hora você não vai se importar, vai lembrar-se que todo mundo passa por isso, mais dia, menos dia”, seu susto, meu medo, medo, medo, triste eu estou, vou ficar assim por muito tempo, triste, mas quero dizer, para você, só por você, que um dia vou eu ficar bem. Eu me mudo amanhã. Vou ficar bem.
Magda Maria Campos Pinto

 

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