terça-feira, 25 de setembro de 2012

SÉRIE: o que está por vir.

 Trouxe-lhe o vizinho.
E, desde já, peço-lhe desculpas por necessitar trazer-lhe junto uma nova recordação, hoje sob a forma de texto. Deixo que você leia, e ouça apenas o violino. Não era verdade que tudo havia se esgotado, por isso quando a noite voltou, eu me vi tomado pela angústia que se tornou essa carta. Escrevi: verdadeiro horror é quando a vítima sobrevive. E goza! Quando não existe terra, muito menos jardim. Imagine a rosa! Maiakovski não imaginaria. Quando o pai perdeu o tom. Quando a mulher, um sorriso amarelo. Quando alguém já pediu ‘não me apareçam quando eu morrer’. Quando gostar é coisa que já se desconhece há muito. Dizia eu que a tolerância é quase a maior. Quase. Precioso quase que nos salva. Tão bom ser artista. Compreender não é uma questão, muito menos uma necessidade. No corpo e nos ditos estão todas as mentiras, por isso louvo a Freud e a Kafka. Evoco. Quando a angústia de ser, emperra. E só a perplexidade perdura. Quando a melancolia já tomou vergonha na cara e não tem mais a cara de aparecer. Quando desejar um filho é uma questão de tédio. Quando ser politicamente incorreto é a questão. De ser, é claro. Metafisicamente falando. Quando o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens. Ah, Drummond, salva-me de ti! (Fernando Pessoa não vai se importar, é claro). Bom violino para você.

Magda Maria Campos Pinto

 

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