terça-feira, 11 de setembro de 2012

VIGÍLIA DA PRIMAVERA: com Casimiro de Abreu


(...)
A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso a criação modula,
Canta a calhandra, a juriti arrula,
O mar é calmo porque o céu é lindo.
Alegre e verde se balança o galho,
Suspira fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa: - como é linda a Veiga!
Murmura a rosa: - como é doce o orvalho.

2.
Mas como às vezes sobre o céu sereno
Corre uma nuvem que a tormenta guia,
Também a lira alguma vez sóbria
Solta gemendo de amargura um treno.

São flores murchas; - o jasmim fenece,
Mas bafejado s’erguerá de novo
Bem como o galho do gentil renovo
Durante a noite, quando o orvalho desce.
(continua)

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