quarta-feira, 12 de setembro de 2012

VIGÍLIA DA PRIMAVERA, com Casimiro de Abreu:


(...)
Se um canto amargo de ironia cheio
Treme nos lábios do cantor mancebo,
Em breve a virgem do seu casto enlevo
Dá-lhe um sorriso e lhe intumesce o seio.

Na primavera – na manhã da vida –
Deus às tristezas o sorriso enlaça,
E a tempestade se dissipa e passa
À voz mimosa da mulher querida.

Na mocidade, na estação fogosa,
Ama-se a vida – a mocidade é crença,
E a alma virgem nesta festa imensa
Canta, palpita, s’extasia e goza. 

(1º de julho – 1858)


Nenhum comentário:

Postar um comentário