domingo, 9 de setembro de 2012

VIGÍLIA DA PRIMAVERA:

Fiéis à temática do Grupo de Estudos, ROMANTISMO, começamos a vigília da primavera/2012, com CASIMIRO DE ABREU. E acolhemos as livres associações... Mãos à obra:
Casimiro José Marques de Abreu ( 1839 / 1860) foi um poeta romântico. Sua poesia se destaca pela ingenuidade dos amores simples, pela nostalgia da pátria e da infância, e pela celebração da vida em linguagem leve e agradável. Está entre os mais populares poetas românticos brasileiros, mas como soe acontecer, reconhecimento só adquirido após sua morte precoce. Nasceu na região serrana do Rio de Janeiro e aos treze anos embarcou com seu pai para Portugal onde conviveu com intelectuais e escreveu a maior parte de sua obra, toda carregada de sentimento nostálgico. É o que se encontra em seu poema Meus oito anos, talvez o mais famoso. 

Oh! Que saudades que tenho/da aurora da minha vida,/ da minha infância querida/que os anos não trazem mais!/ Que amor, que sonhos, que flores,/naquelas tardes fagueiras,/ à sombra das bananeiras,/ debaixo dos laranjais!

Retornou ao Brasil, aos 18 anos, para trabalhar com seu pai no comércio; passou a escrever para jornais, tornou-se amigo de Machado de Assis e ganhou a cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras. Ficou tuberculoso e retirou-se para a fazenda a fim de se tratar, mas não se recuperou falecendo em 1860, aos 21 anos. Editou suas poesias reunidas sob o título PRIMAVERAS, em 1859.
 
INFÂNCIA

Ó anjo da loura trança,
Que esperança
Nos traz a brisa do sul!
- Correm brisas das montanhas...
Vê se apanhas
A borboleta de azul!...

Ó anjo da loura trança,
És criança,
A vida começa a rir.
 – vive e folga descansada,
Descuidada
Das tristezas do porvir.

Ó anjo da loura trança,
Não descansa
A primavera ainda em flor;
Por isso aproveita a aurora
Pois agora
Tudo é riso e tudo amor.

Ó anjo da loura trança,
A dor lança
Em nossa alma agro descrer.
- que não encontres na vida,
Flor querida
Senão contínuo prazer.

Ó anjo d aloura trança,
A onda é mansa,
O céu é lindo dossel;
E sobre o mar tão  dormente,
Docemente
Deixa correr teu batel.

Ó anjo da loura trança,
Que esperança
Nos traz a brisa do sul!...
- correm brisas das montanhas...
Vê se apanhas
A borboleta de azul!...

(Rio – 1858)

p.s: para constar: existe em minha biblioteca um volume do ‘Contos de Fadas’ de Perrault, tradução e adaptação de Monteiro Lobato, Editora Brasiliense, SP, 1958, prêmio do ‘Concurso de Declamação de Poesias’, realizado em 12 de outubro de 1962, em Virginópolis/MG, no qual declamei esse poema, aos meus sete anos.

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