segunda-feira, 8 de outubro de 2012

PARA O GRUPO DE ESTUDOS: mais uma dica

Seguindo rigorosamente nossa metodologia deixamo-nos flanar nos expondo abertamente ao toque da coisa e, assim, trazemos na sequência OS ESQUECIDOS (LOS OLVIDADOS) de Buñuel para se juntar à reflexão da hora. Apesar da tentação (imensa) não vamos falar do genial Buñuel. Tão monumental que ainda assusta. Fiquemos com ‘Os esquecidos’ e sigamos os poetas, sempre os primeiros a indicar o caminho. Feito em 1950, antecipou (?) o horror e a violência da trilha do 'sucesso econômico'. A primeira vítima: a criança, ou seja, o próprio humano. Escandalizados com a verdade aberta diante de seus olhos retiraram o filme de cartaz logo depois da estreia. Após o prêmio em Cannes em 51, reestrearam o filme. Um pouco mais de hipocrisia. É simples: OS ESQUECIDOS já dizem tudo, e melhor, de tudo que já se disse no cinema sobre a miséria do individualismo, o horror do abandono, a desorientação do explorado, a violência do egoísmo... Numa palavra, o escândalo do capital. É, por exemplo, mal comparando, ‘CIDADE DE DEUS’, mas 52 anos antes. O filme de Buñuel, que faz parte de sua fase mexicana, ecoa hoje nos mais escondidos e nos mais estampados bairros de qualquer mediana cidade do mundo. Mas sabemos que poetas nunca são ouvidos; e quando insistem em sua cantata costumam ser simplesmente assassinados.

Em 2003 a UNESCO declarou o negativo original do filme, conservado na Filmoteca da Universidade Nacional do México, ‘MEMÓRIA DO MUNDO’. Esse projeto (de 1997) tem por objetivo identificar documentos ou conjuntos documentais considerados em situação de risco que tenham valor de patrimônio documental da humanidade e, hoje, tem sob sua guarda cerca de uma centena de trabalhos. Mas o fato é que isso não parece contribuir em nada para que se veja, se ouça, se estarreça com aquilo tudo que Buñuel já gritava há 60 anos. Bom, eu disse que não falaria sobre o gênio espanhol. Então, humildemente, vejamos uma vez mais LOS OLVIDADOS, e conversamos. Não descansaremos.



Salvador Dalí, José Moreno Villa, Luis Buñuel, Federico García Lorca y José Antonio Rubio Sacristán, en Madrid, en 1926
   

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