sexta-feira, 30 de novembro de 2012

VIGÍLIA COM RILKE:



“De teu sonho tão cheio,
Flor numerosa em seu meio,
Molhada como quem chora,
Tu te inclinas sobre a aurora.

Tuas doces forças que dormem,
Em um incerto desejo,
Produzem essas formas suaves
Entre faces e seios.”

In As Rosas, Rainer Maria Rilke, Sette Letras, RJ, 1996.

Evie + Johnny Mathis

 

‘Ivie" representou os Estados Unidos no Festival Internacional da Canção do Rio em 1969, classificada em terceiro lugar para a tristeza de muitos. O festival foi vencido por ‘Luciana’, interpretada por Evinha.  O segundo lugar ficou com ‘Love is All’, numa exuberante interpretação do inglês Malcom Roberts, que virou febre. ‘Ivie’, considerada a mais linda canção, foi cantada por Bill Medley, com bela batida soul. A composição é do ótimo Jimmy Webb (By The Time I Get to Phoenix, Wichita Lineman, MacArthur Park) .   Depois ficou famosa na balada de Johnny Mathis, sendo por muito tempo a vinheta de abertura de jornal Hoje, da Globo, apresentado por Márcia Mendes.

(rara e inesquecível )

p.s: grandes e deliciosas memórias. Pode comemorar que é bom. Obrigada, Ivie. Daqui, torcida forte e confiante. Apostando...


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

VIGÍLIA COM RILKE:

“Não quero que fique sem uma saudação minha pelo Natal, quando, no meio da festa, carregar a sua solidão mais dificilmente do que nunca. Mas se verificar, nesse momento, a que a sua solidão é grande, alegre-se com isto. Que seria, com efeito, uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) que não tivesse grandeza? Há uma solidão só: é grande e difícil de se carregar. Quase todos, em certas horas, gostariam de trocá-la por uma comunhão qualquer , por mais banal e barata que fosse; por uma aparência de acordo insignificante com quem quer que seja; com a pessoa mais indigna. Mas  talvez sejam estas, justamente, as horas em que ela cresce, pois o seu crescimento é doloroso como o de um menino e triste como o começo das primaveras. Mas tudo isto não o deve desorientar. O que se torna preciso, é no entanto isto: solidão, uma grande solidão interior. Entrar em si mesmo, não encontrar ninguém durante horas – eis o que se deve saber alcançar. Estar sozinho como se estava quando criança,enquanto os adultos iam e vinham, ligados as coisas que pareciam importantes e grandes porque esses adultos tinham um ar tão ocupado e porque nada se entendia de suas ações.”

In Cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke, Globo , RJ, 1986.

SÉRIE BITS: MPB



 Mal Necessário
 Mauro Kwitko
Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou a mesa e as cadeiras deste cabaré
Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo
Sou a febre que lhe queima, mas você não deixa
Sou a sua voz que grita, mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta quando as vozes se ocultam
Nos bares, nas camas, nos lares, na lama.
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo,
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento,
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide,
O que não tem duas partes, na verdade existe.
Oferece a outra face, mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na cama.
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo,
O que sempre esteve vivo.
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe
Mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na lama
Na lama, na cama, na cama...

 p.s: confissão: eu amo esse cara chamado Ney Matogrosso.