segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A NOSTALGIA DA LUZ



Uma dentre as incríveis lembranças que trago do Chile é o sonoro ciciar doce da palavra ‘precioso’ (tento: prressiôço) que os chilenos repetiam e repetiam para mim ao longo do dia, enchendo meu redor de simpatia e o peito de gratidão pela acolhida permanentemente generosa. Foi sentindo saudade dos chilenos e ouvindo aquela palavra tão significativa que assisti o documentário ‘A NOSTALGIA DA LUZ’, de Patrício Gusmán. É incrível como o diretor conseguiu construir um trabalho belíssimo debruçando-se sobre temas dolorosos – chagas abertas - e misteriosos – perguntas que insistem - sem cair no ‘lugar comum’, ainda que esse ‘lugar comum’ continue legítimo como a cantiga de um lamento e de uma perplexidade que perdura. Gusmán traz nova e encantadora tessitura a conhecidos veios: o Atacama, a Ditadura militar, a astronomia, o mar... O céu e a terra. O começo – os começos – e o fim – os sem-fim. O passado, os passados: o presente mais que perfeito. Memória, história, matéria e valor. Ciência, religião, pensamento e sentimento. Preciosa teia no filme do precioso Patrício Gusmán. Exibido em 2010, recebeu menção honrosa no Festival de Cannes e foi aplaudido na Mostra Internacional de São Paulo do mesmo ano. Penso que ainda não recebeu a devida reverência e aplauso. Não bastasse a competência para construir o enredo nós nos deparamos com uma produção magnífica, fotografia extraordinária, direção original. Sugiro a vocês A NOSTALGIA DA LUZ. Tem poder para nos sacudir da paralisia decorrente de inimagináveis selvagerias e da indiferença ignorante.  Aproveitem a rara oportunidade.VIVA O CINEMA!



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