sexta-feira, 23 de novembro de 2012

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO?

Há quem diga que sim, e comemora. Para outros tantos, a data estabelecida pela Unesco em 1996, seria 23 de abril, morte de Cervantes e, possivelmente, de Shakespeare. Outras notícias, não tenho. Mas gostaria de saber sobre esse 23 de novembro. Como livro é coisa de todo dia, toda hora, vamos lá...

DA TRADUÇÃO:

The Raven

Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I modded, nearly napping, suddenly here came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at may chamber door
Only this and nothing more.  (Edgar A. Poe)
 
Numa meia noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
‘Uma visita’ eu me disse, ‘está batendo a meus umbrais
E só isto, e nada mais’. (Fernando Pessoa)
  
Em certo dia, à hora, à hora
Da meia noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
É alguém que me bate à porta de mansinho:
Há de ser isso e nada mais. (Machado de Assis)
 
GUIMARÃES ROSA:
“Eu, quando escrevo um livro, vou fazendo como se o estivesse ‘traduzindo’ de algum alto original, existente alhures, no mundo astral ou no ‘plano das ideias’, dos arquétipos, por exemplo. Nunca sei se estou acertando ou falhando, nessa ‘tradução’. Assim, quando me ‘retraduzem’ para outro idioma, nunca sei, também, em caso de divergências, se não o Tradutor quem, de fato, acertou, restabelecendo a verdade do ‘original ideal’, que eu desvirtuara...”
 
In Intertextualidades: Teoria e Prática, Graça Paulino, Ivete Walty, Maria Zilda Cury, Editora Lê, BH, 1997.

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