sábado, 17 de novembro de 2012

FESTA LITERÁRIA!!!

 

AUMENTAM OS ENCONTROS, CRESCEM AS LETRAS, BROTAM LIVROS...  e nós, na torcida. Pura vibração. Está acontecendo a 8ª FLIPORTO, festa literária de Pernambuco, que nasceu em Porto de Galinhas e tanto cresceu que precisou aumentar o terreiro e invadiu a linda Olinda. Tá assim ó de gente, tudo gente boa. Mia Couto está lá lançando seu último romance, todo emocionado. Pernambuco é um dos estados mais letra do Brasil (será mesmo... ? esse Brasil é tão letra, mas enfim, João Cabral, Gilberto Freire, Nelson Rodrigues (homenageado do ano), etc. etc. e o mais brasileiro - isto é, tipo multi, poli, verso, reverso e anverso, tudo jundo ao mesmo tempo... - dos pernambucanos, nosso candidato a Nobel, Ariano Suassuna. A gente pode acompanhar a FLIPORTO através do site: http://www.fliporto.net/
Perca não!
 
(Ariano, cabra imponente e doce, sô!)

E nossa homenagem aos queridos pernambucanos: 

 Morte e Vida Severina
João Cabral de Melo Neto

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Olinda, Brazil ( in color) - Olinda, Pernambuco 
(OLINDA!)

Nenhum comentário:

Postar um comentário