terça-feira, 6 de novembro de 2012

Kaufman e Hemingway



Assisti 'Hemingway & Gellhorn' e gostei muito. Fui atraída para o filme pelo nome do diretor: Philip Kaufman, que traz no currículo, seja como diretor ou roteirista, filmes fundamentais: A  insustentável leveza do ser, Henry & June, Os Eleitos, Os caçadores da Arca Perdida... Isso basta para contar da amplitude do trabalho dele, e atraída também, é claro, pela curiosidade que o nome Hemingway sempre causou e causará, eu creio. Não me decepcionei. Kaufman deslocou o foco para Marta Gellhorn e fez bem ao filme. De fato, Hemingway é poderoso demais; é uma tarefa titânica absorver esse homem. Mas enfim, vi um Clive Owen muito bem; ele conseguiu portar aquele titã, derrubado – como os verdadeiros titãs – por uma muito boa Nicole Kidman como Gellhorn. Acho uma bobagem a falação: filme para TV, orçamento pequeno, banal e tal. Discordava, e agora não concordo. Esses critérios nunca valeram para verdadeiros cinéfilos. Kaufman e Hemingway jamais combinarão com superficialidade.  Acontece é que existe quem confunde objetividade com falta de orçamento (risível, não é?) e superprodução com qualidade (mais risível ainda). Enfim, o filme merece toda sua pré-história. Acho que o roteiro demora um pouco a fluir, mas acaba fluindo. E que o Rodrigo Santoro (ótimo ator) tá perdido ali, não diz nadinha, podia passar sem essa. Mas o filme comove e ainda cumpre uma missão para além do cinema: relembra que é hora de revisitar Hemingway. Em boa hora. En hora buena. Aproveitem o filme e redescubram Hemingway (de certa maneira, Woody Allen já havia nos provocado em Meia Noite em Paris... então, agora a gente não precisa mais resistir).


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