segunda-feira, 5 de novembro de 2012

SEMANA DE VIGÍLIA 2: J. W. GOETHE

(Andy Warhol, Goethe, 1982)

“É quase escusado dizer que se trata aqui de Shakespeare e, após esta declaração, todos os desenvolvimentos são inúteis. Shakespeare é admirado pelos alemães mais que pelos outros povos; mais, talvez, que pelos seus próprios compatriotas. Encontrou entre nós, em abundância, a justiça, a equidade e as deferências que negamos uns aos outros. Homens eminentes dedicaram-se a apresentar o seu gênio sob a mais favorável das luzes, e eu sempre subscrevi de bom grado o que se disse em sua honra, em seu louvor e mesmo em sua defesa. Já expus a influência que exerceu sobre mim esse gênio extraordinário, e escrevi sobre os seus trabalhos alguns ensaios que foram recebidos com aprovação. Posso, pois, limitar-me aqui a esta declaração geral, até que esteja em condições de comunicar, a amigos dispostos a ouvir-me, algumas outras reflexões que  recolhi a respeito de seus grande méritos e que desejaria inserir aqui. Por ora me limitarei a dizer como travei conhecimento com ele. Isso aconteceu bastante cedo, em Leipzig, através das Beauties of Shakespeare, de Dodd. Diga-se o que se disser contra essas antologias que apresentam os autores em retalhos, a verdade é que elas produzem alguns bons efeitos. Nem  sempre estamos bastante preparados ou somos bastante inteligentes para assimilar uma obra inteira segundo o seu mérito. Acaso não costumamos sublinhar num livro as passagens que se relacionam diretamente conosco? Sobretudo os jovens, que carecem de uma cultura aprofundada, recebem das passagens brilhantes um impulso muito feliz, e recordo ainda como uma das épocas mais belas de minha vida aquela que foi marcada por esse livro. Essas admiráveis particularidades, essas grandes máximas, esses quadros surpreendentes, esses rasgos humorísticos,tudo me interessava em detalhe  e com uma força poderosa.”

In Memórias: poesia e verdade, vol. 2, J. W. Goethe, Editora Universidade de Brasília, 2000.

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