segunda-feira, 12 de novembro de 2012

SÉRIE PROFETAS DA CONTEMPORANEIDADE

“Existe um critério muito simples e seguro para testar o valor espiritual de uma comunidade. A questão: nela se expressa a totalidade do indivíduo atuante? Está comprometido com ela o ser humano integral? Este lhe é imprescindível? Ou a comunidade é prescindível a cada ser humano na mesma medida em que este é prescindível àquela? É muito simples formular esta questão, muito simples respondê-la em relação aos tipos atuais de comunidade social, e essa resposta é decisiva. Todo indivíduo atuante aspira pela totalidade, e o valor do desempenho individual reside precisamente nessa totalidade, ou seja, no fato de que a essência total e indivisível de um ser humano possa ganhar expressão. Mas a realização socialmente fundamentada, tal como hoje a encontramos, não contém a totalidade, é algo inteiramente fragmentado e derivado. Não é raro que a comunidade social seja o espaço em que, sorrateiramente, e na mesma sociedade, luta-se contra desejos mais elevados, metas mais pessoais, encobrindo-se porém o desenvolvimento natural e mais profundo. O desempenho social do homem médio serve, na maioria dos casos, para recalcar as aspirações originais e não derivadas do homem interior. Trata-se aqui de acadêmicos, de pessoas que já pela profissão estabelecem algum tipo de ligação interior com as lutas espirituais, com o ceticismo e o criticismo daquele que estuda. Essas pessoas apoderam-se, como local de trabalho, de um meio imensamente afastado do seu, que lhes é totalmente estranho, e lá, longe do mundo, criam para si uma atividade limitada, sendo que a totalidade de tal ação reverte em benefício de uma generalidade frequentemente abstrata.”

In Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação, Walter Benjamin, Editora 34, SP, 2002

Um comentário:

  1. Bom momento para refletir sobre redes SOCIAIS... sobre SER e a ilusão de pertencer, compartilhar, expor-se e DESAPARECER!

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