sexta-feira, 2 de novembro de 2012

SÉRIE PROFETAS DA CONTEMPORANEIDADE: Deleuze e Guattari

 “Quem sabia plenamente que a imanência não pertencia senão a si mesma, e assim que ela era um plano percorrido pelos movimentos do infinito, preenchido pelas ordenadas intensivas, é Espinosa. Assim ele é o príncipe dos filósofos. Talvez o único a não ter aceito nenhum compromisso com a transcendência, a tê-la expulso de todos os lugares. Ele fez o movimento do infinito, e deu ao pensamento velocidades infinitas no terceiro gênero do conhecimento, no último livro da Ética. Ele aí atinge velocidades inauditas, atalhos tão fulgurantes, que não se pode mais falar senão de música, de tornado,de vento e de cordas. Ele encontrou a liberdade tão somente na imanência. Ele acabou a filosofia, porque preencheu sua suposição pré-filosófica. Não é a imanência que se remete à substância e aos modos espinosistas, é o contrário, são os conceitos espinosistas de substância e de modos que se remetem ao plano de imanência como a seu pressuposto. Este plano nos mostra suas duas faces, a extensão e o pensamento ou,mais exatamente, suas duas potências, potência de ser e potência de pensar. Espinosa, é a vertigem da imanência à qual tantos filósofos tentam em vão escapar.”

In O QUE É A FILOSOFIA?. Gilles Deleuze – Félix Guattari, Editora 34, RJ, 1992.

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