sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SÉRIE: 'Segura, pião!' - VERÍSSIMO



PERPLEXIDADE

Então vamos:
Um mistério de cada vez.
Perplexidade ante perplexidade.
Calma.
Devagarinho.
Como quem abre o estojo do mundo
Com um aramezinho.

Chegaremos a
Uma revelação
Sobre nosso último destino
– talvez a tempo de desativar
O pino.
E seja ela Deus
Ou um conglomerado
Já me vejo lá,
Apalermado,
Mudo
Diante da explicação
De Tudo.

Mas antes da Epifania,
Perguntas mais dia a dia...
Dúvidas banais
Angústias sociais.

Nada sobre o Infinito
Ou o sorriso da Madonna
Mas o que fazer com o caroço
Da azeitona.
Teoria quântica, a alma
humana – esquece.
Pra onde vai o dinheiro
Do INPS?

Minha busca pelo sentido da existência
parte de um pedido seminal
Que os céus não atendem
E muito menos o manual.
Ainda chegaremos ao coração da
Matéria
E aos confins de nós mesmos
Mas, para começar:
Como é que se faz para aquele maldito
Relógio digital do videocassete
Parar de piscar?

In Poesia numa horas dessas? , Luis Fernando Veríssimo, Objetiva, RJ, 2002.
 

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