terça-feira, 27 de novembro de 2012

VIGÍLIA COM RILKE:

“Aqui, tendo em redor de mim uma possante região sobre a qual possam ventos vindos dos mares, bem sinto que nenhum homem pode responder às perguntas e aos sentimentos que têm vida própria no âmago de seu ser. Mesmo os melhores se enganam no uso das palavras quando estas têm de significar o que há de mais discreto, de quase indizível. Creio, contudo, que o senhor não deixará de encontrar uma solução, se se agarrar a coisas que se assemelham a si, como as que agora dão repouso aos meus olhos. Se se agarrar à natureza, ao que ela tem de simples, à miudeza que quase ninguém vê e que tão inesperadamente se pode tornar grande e incomensurável; se possuir este amor ao insignificante; se procurar singelamente ganhar como um servidor a confiança daquilo que parece pobre – então tudo se lhe há de tornar fácil, harmonioso e, por assim dizer, reconciliador, - não talvez no intelecto,que ficará atrás espantado, mas sim na sua mais íntima consciência, que vigia e sabe.”

In Cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke, Globo , RJ, 1986.
 

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