domingo, 9 de dezembro de 2012

360°: um filme muito bom.

Assisti ao 360°, de Fernando Meireles. Eu gosto de assistir aos filmes depois do barulho da estreia, no sossego das expectativas. Gostei muito, em especial da modernidade da narrativa, da humildade da constatação da impotência nossa de cada dia. É um belo roteiro; sim, a meu ver, o primeiro aplauso vai para o roteiro. A produção é muito boa, a edição também, a direção é macia e bonita. Viva outra vez o Meireles. É um filme novo, ele se arrisca; embora esteja, digamos, na trilha de um Babel de  Iñarritu, por exemplo (de que eu gosto muito, aliás), 360° é intimista, sem estardalhaço, e eu acho isso muito bom. O fato é que, no amontoado de equívocos da desorientada rotina de nossos insensatos dias, não devíamos nos atrever a contar uma história. Devíamos abaixar a cabeça, abrir o coração e segurar as mãos. Talvez porque estejam acostumados a contar uma história, esconder-se sob uma falsa coerência de personagens, nota-se um constrangimento, algum mal estar, dos atores, exceção feita a Ben Foster que está simplesmente espetacular. Rouba a cena. Ele parece ter captado com precisão de que se trata: ‘não sei como nem por que vim parar aqui’. Os demais, em que se pese a inegável qualidade – por exemplo, o Anthony Hopkins de sempre – estão assim, como direi?, pouco à vontade, mas de forma que escapa à performance. Mas, enfim, é filme dos bons, que pode fazer bem à gente. Acho que não procedem as críticas de moralismo, artificialismo, intelectualismo.... chatismo e outros ismos que andei ouvindo. Chato mesmo é quem se acha dono das fórmulas corretas e está pronto pra achar a imperfeição. Por acreditar no perfeito põem-se como detetives das falhas. Um porre essa gente. O filme é dos melhores. VIVA O CINEMA!

 
(Ben Foster e Maria Flor)
 

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