quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

QUEM RESISTIRÁ???

 

João Bosco/Aldir Blanc


Meu coração tropical está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E à voz vibra e a mão escreve mar
Bendita lâmina grave que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais
Roserais, Nova Granada de Espanha
Por você, eu, teu corsário preso
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar
Me arrastar até o mar, procurar o mar
Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical partirá esse gelo e irá
Com as garrafas de náufragos
E as rosas partindo o ar
Nova Granada de Espanha
E as rosas partindo o ar
Iela, iela, iela, iela la la la


p.s: repetimos sempre o que é bom. A arte é nossa crença, nosso modo, nosso mestre.... nosso sentido e fim. 

 

MAIS PARA SEU FIM DE SEMANA:

O Grupo Galpão apresenta a peça "Till, a saga de um herói torto” no teatro do Palácio das Artes, a partir de hoje, dia31. Ao estilo já consagrado do grupo, o humor, a musicalidade e o capricho de produção tornam o espetáculo imperdível. Aproveite o GALPÃO!


"Till, a saga de um herói torto" fica em cartaz até 3 de fevereiro no Palácio das Artes 
Till, a saga de um herói torto
31 de janeiro a 3 de fevereiro (exceto 2 de fevereiro); quinta e sexta às 21h, domingo às 19h// Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro) // Bilheteria do Palácio das Artes: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada); Postos do Sinparc: R$12
Classificação: Livre Mais informações: (31) 3236.7400
 

SÉRIE BITS: LITERATURA BRASILEIRA


“Abriu a janela que dava para o jardim. Ali começavam os pinheiros que cercavam a casa. Vinha deles o cheiro vegetal, úmido, aquilo que ela chamava de cheiro de Itaipava. `As vezes, em Milão, ela sentia aquele cheiro que vinha de dentro dela – era a forma serena de se lembrar de Augusto.

Ela esperara quinze anos para que os pinheiros crescessem. Não tinha pressa então. Confiava em si mesmo, em seu ritmo. César vai a bordo! E os remos voltavam a funcionar. Os pinheiros cresceram realmente. Ela também. Começara a se libertar do homem que se tornara poderoso para ela, do homem que, na noite de Nápoles, aparecera súbito, demônio brotado do chão. E como um demônio, a transformara em Mona. E a sequestrara. E ensinara-lhe a história do mundo.

Cumprida a tarefa, tanto ele como ela nada tinham a fazer juntos – por isso ela aspirava o cheiro forte vindo dos pinheiros, cheiro de noite, cheiro dele. Não fora convidada para ir a Itaipava, muito menos para dormir na casa que também fora dela. Depois de três anos de ausência, ela não se sentia uma estranha, mas uma intrusa.”

Fragmento de A Casa do Poeta Trágico, Carlos Heitor Cony, Companhia das Letras, SP, 1997.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

PARA SEU DIA PRIMEIRO DE FEVEREIRO:

 
 
 
DIVIRTA-SE!

SÉRIE BITS: LITERATURA BRASILEIRA

“Escolhendo, como sempre, as palavras, Salomão disse que já estava de posse de um parecer sobre o relato que eu escrevera. Minhas qualidades de estilista eram ali reconhecidas, mas o mesmo não se poderia dizer quanto à narrativa propriamente dita, que encerrava algumas distorções. Considerando a importância do livro que estava sendo preparado, diretrizes teriam de ser adotadas, para evitar  o que chamou, eufemisticamente, de acidentes de percurso. Daí em diante eu teria de me restringir unicamente à redação do texto. O conteúdo seria fornecido pelos anciãos, que também teriam poder de veto sobre tudo o que  eu escrevesse. Enquanto falava, eu mirava o velho safado. Ele procurava manter um ar neutro, distante, mas estava evidentemente deliciado com as palavras do rei.” 

Fragmento de A mulher que escreveu a Bíblia, Moacyr Scliar, Companhia das Letras, SP, 2002

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

ESQUENTA PARA O GRUPO DE ESTUDOS:

 
Freud, citando Goethe em 'Totem e Tabu': 'Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o para fazê-lo teu'. Pensem nisso (bastante) para chegarmos à postulação lacaniana de alienação fundamental, constitutiva do sujeito, da qual precisará separar-se. Inté, então...

SÉRIE BITS: LITERATURA BRASILEIRA


“E a vidinha da gente e da rua se desenvolvia normalmente. Viera o tempo do papagaio e ‘rua para quem te quer’. O céu azulado se estrelava de dia das estrelas mais bonitas e coloridas. No tempo do vento deixava de lado um pouco o Minguinho ou só o procurava quando me colocavam de castigo depois de uma bela sova. Aí não tentava fugir mesmo porque uma surra muito junto da outra dói pra burro. Nesses momentos ia com o rei Luís adornar, ajaezar, termo que achava lindo, o meu pé de Laranja Lima. Por sinal, Minguinho dera uma esticada danada e logo, logo estaria dando flores e frutos para mim. As outras laranjeiras demoravam muito. Mas pé de Laranja Lima era ‘precoce’ como Tio Edmundo dizia que eu era. Depois ele me explicou o que  aquilo queria dizer: das coisa que aconteciam muito antes das outras coisa acontecerem. No final eu acho que ele não soube explicar direito. O que que queria dizer era simplesmente tudo que vinha na frente...”

Fragmento de Meu pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos, Melhoramentos, SP, 1968.