quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

CONTINUANDO O COMEÇO: Se não te cuidares o peito/Cuida teu olho absurdo/Que teu peito tomba morto/Diante de tudo

 
 “me vejo de bruços fecho meus olhos não os azuis os outros atrás e me vejo de bruços a boca abre a língua sai rola na lama e não é o caso de sede também não é o caso de morrer de sede também todo esse tempo vasta extensão de tempo

vida na luz primeira imagem uma criatura ou outra eu o observava do meu jeito à distância com minha luneta de viés em espelhos pelas janelas à noite primeira imagem

dizendo a mim mesmo ele está melhor do que estava melhor que ontem menos feio menos burro menos cruel menos sujo menos velho menos desgraçado e você dizendo a mim mesmo e você de mal a pior mal a pior inabalavelmente”

in Como é, Samuel Beckett, Iluminuras, SP, 2003.

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