quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Esquenta para o grupo de estudos:

“É com a Fenomenologia do espírito (1807) de Hegel que o termo entra definitivamente na tradição filosófica para em seguida vir a ser de uso corrente. A diferença fundamental entre a fenomenologia de Hegel e a de Kant reside na concepção das relações entre o fenômeno e o ser ou o absoluto. Segundo Hegel, o absoluto, sendo cognoscível, é por este fato mesmo qualificável como Si ou como Espírito, de modo que a fenomenologia é de imediato uma filosofia do absoluto ou do Espírito. Mas essa filosofia é também uma fenomenologia, isto é, uma retomada paciente do caminho que o Espírito percorre no desenrolar da História. Não se trata, pois, para Hegel, de construir uma filosofia na qual a verdade do absoluto se enunciaria fora ou à parte da experiência humana, mas de mostrar como o absoluto está presente em cada momento dessa experiência, seja ela religiosa, estética, jurídica, política ou prática. Até mesmo o trágico da História humana é um momento necessário do devir do Espírito, já que ele constitui o que Hegel chama o negativo, isto é, o motor do movimento da História sem o qual o Espírito não poderia se enriquecer com suas figuras ou manifestações sucessivas. Sem dúvida, essa fenomenologia é somente, como o queria Kant, uma propedêutica à ontologia, ciência sistemática do ser; mas, em vez de revelar a impossibilidade dessa ontologia, ela fornece, ao contrário, todo o seu material ao filósofo que não tem senão que pensar sua ordem oculta e dizer sua significação absoluta.”

In O que é a fenomenologia?, André Dartigues, Eldorado, RJ, 1972.
 Filósofo Georg Hegel Cartão

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