segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Esquenta para o grupo de estudos:

 “Não é, contudo, a fenomenologia hegeliana que iria se perpetuar no século XX sob a forma do movimento de pensamento que traz o nome de fenomenologia. O verdadeiro iniciador desse movimento devia ser E. Husserl, que deu um conteúdo novo a uma palavra já antiga. Se, no entanto, comparamos Husserl a Kant e a Hegel, como os quais seria permitido aproximá-lo quanto a vários pontos particulares, podemos notar que, com respeito ao problema ontológico, sua tentativa representa algo como uma terceira via: enquanto a fenomenologia de tipo kantiano concebe o ser como o que limita a pretensão do fenômeno ao mesmo tempo em que ele próprio permanece fora de alcance, enquanto inversamente, na fenomenologia hegeliana, o fenômeno é reabsorvido num conhecimento sistemático do ser, a fenomenologia husserliana se propõe como fazendo ela própria as vezes de ontologia, pois, segundo Husserl, o sentido do ser e o do fenômeno não podem ser dissociados. Husserl procura substituir uma fenomenologia limitada por uma ontologia impossível e uma ontologia que absorve e ultrapassa a fenomenologia por uma fenomenologia que dispensa a ontologia como disciplina distinta, que seja, pois, à sua maneira, ontologia – ciência do ser.”

In O que é a fenomenologia?, André Dartigues, Eldorado, RJ, 1972.

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