quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

SÉRIE BITS: LITERATURA BRASILEIRA

 
“Riram todos na mesa. A morena aproximava-se, fatal. A orquestra refinava-se num tango argentino, Roberto saía dançando com Dorothy. Medicina não aprendera nos dez anos de Faculdade (segundo as más línguas, obtivera o diploma de doutor por antiguidade), mas aprendera a valsa e o tango, o maxixe, era um senhor bailarino, apesar das banhas. Lá ia com Dorothy nos floreados do tango, em primorosa exibição. Ela se aproveitava para incendiar o peito de Aragão com olhares fundos e sorrisos tímidos. O garção chegava com bebidas, mulheres circulavam próximo à mesa, na esperança de um chamado. A negrinha Muçu sentara-se nos joelhos do comandante loiro, fazia-lhe cócegas no pescoço. Carol resplandecia, orgulhosa de sua pensão, da orquestra, das mulheres escolhidas a dedo, dos garções respeitosos, do stock de bebidas, dos preços caros, da freguesia de primeira ordem. Daqueles cinco fregueses, sobretudo.”

Fragmento de Os velhos Marinheiros, Jorge Amado, Livraria Martins Editora, DP, 1970

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