terça-feira, 29 de janeiro de 2013

SÉRIE BITS: LITERATURA BRASILEIRA


“E a vidinha da gente e da rua se desenvolvia normalmente. Viera o tempo do papagaio e ‘rua para quem te quer’. O céu azulado se estrelava de dia das estrelas mais bonitas e coloridas. No tempo do vento deixava de lado um pouco o Minguinho ou só o procurava quando me colocavam de castigo depois de uma bela sova. Aí não tentava fugir mesmo porque uma surra muito junto da outra dói pra burro. Nesses momentos ia com o rei Luís adornar, ajaezar, termo que achava lindo, o meu pé de Laranja Lima. Por sinal, Minguinho dera uma esticada danada e logo, logo estaria dando flores e frutos para mim. As outras laranjeiras demoravam muito. Mas pé de Laranja Lima era ‘precoce’ como Tio Edmundo dizia que eu era. Depois ele me explicou o que  aquilo queria dizer: das coisa que aconteciam muito antes das outras coisa acontecerem. No final eu acho que ele não soube explicar direito. O que que queria dizer era simplesmente tudo que vinha na frente...”

Fragmento de Meu pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos, Melhoramentos, SP, 1968.

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