terça-feira, 8 de janeiro de 2013

SÉRIE BITS: MPB (de Minas)


 Existem minas. Profundas muitas. Altas diversas, demais, várias de alterosas maneiras. Outras raras. Preciosas todas. Extensas, silenciosamente imensas. São gerais. E são uma sendo melodicamente únicas; têm uma só afinação, inconfundível. O som das minas é de cordas, viola, violão, violões... Canções de fundo. A fala é pouca e a prosa muita, toda música. Nas minas, prosa não é fala, pois que o idioma é poesia. A cor são verdes, muitas vezes em pedra, que podem vir de preto, de branco, amarelo e outras mais, mas sempre tudo numa consistência pedrífica. Belo sólido. Existem águas muitas também, corredeiras franciscanas e cachoeiras tupis. E guaranis. Certo é que toda água é benta. Sagrados também os sujeitos, todos  jequitinhonhamente capiaus. Muitas vezes, minas é impronunciável. Pois que é sempre cantável.

Celso Adolfo é do clube, é de Minas e, portanto, é do mundo. Um coração brasileiro. É da mata (de prata) e é de beagá. Uma noite, fins dos setenta, num bar, é claro, compôs ‘Nós dois’. Música com coração e mente de namoro mineiro.  Celso Adolfo fez a trilha sonora da estrada real. Confira que é bom.

 
 Nós Dois

E nós que nem sabemos quanto nos queremos
Que nem sabemos tudo que queremos
Como é difícil o desejo de amar

Você que nunca soube quanto eu quis
Que não me coube, não me viu raiz
Nascendo, crescendo nos terrenos seus

Eu na janela, olhando a rua
Perguntando à lua: onde você foi amar?

E nós que nem soubemos nos querer de vez
Estamos sós, laçados em dois nós
Um que é meu beijo e outro é o lábio seu

Não sei sair cantando sem contar você
Que eu sei cantar mas conto com você
Que eu vou seguir mas vou seguir você

Queria que assim sabendo se a gente se quer
Queria me rimar no seu colo mulher
Vencer a vida de onde ela vier

Ganhar seu chegar no chegar meu
Dar de mim o homem que é seu...


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