quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

MELHORES FILMES: OSCAR 92

É imperdoável não conhecê-lo (desculpem-me o trocadilho infame, é só para ficar em sintonia com o pessoal do Omelete, legais e às vezes imperdoáveis. Falam demais, é certo, mas sabem de cinema).  É preciso acrescentar que esse filme é ponto de referência sob diversas perspectivas: revisita o western com reflexão crítica, reapresenta Clint Eastwood: agora, o mesmo e outro... e definitivo. Viva o SENHOR CLINT (figurinha marcada nesse espaço). Foi diretor, ator e... compositor do tema musical. Presta homenagem ao cinema (aliás, essa é uma interessantíssima questão metalingüística no cinema). Ganhou o Oscar de melhor filme, melhor diretor, melhor ator coadjuvante e melhor edição. É lindo.

 
 

SÉRIE BITS: POESIA BRASILEIRA

 
A bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda.


in Os cem melhores poemas brasileiros do século, Carlos Drummond de Andrade, Seleção: Ítalo Moriconi, Objetiva Editora, RJ, 2001.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

SÉRIE BITS: POESIA BRASILEIRA




VERSOS ÍNTIMOS



Vês?! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável!



Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.



Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.



Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

In 100 poemas essenciais da língua portuguesa, Augusto dos Anjos, organização Carlos Figueiredo, Editora Leitura, BH, 2001

MELHORES FILMES: OSCAR 91




‘O Silêncio dos Inocentes foi o ganhador de 1991, vencendo o Oscar em cinco categorias principais: filme, diretor, ator, atriz e roteiro adaptado. Dirigido por Jonathan Demme tornou-se, com justiça, uma referência na vertente cinematográfica de filmes de suspense, elevando a novo patamar o tema da criminologia. Pode-se dizer, sem vacilo: é imperdível. Está preservado na Biblioteca do Congresso Americano como ‘cultural, histórica e esteticamente importante’. 
 

SÉRIE BITS: POESIA BRASILEIRA

 Alphonsus de Guimaraens No Seu Ambiente
Náufrago

E temo, e temo tudo, e nem sei o que temo.
Perde-se o meu olhar pelas trevas sem fim.
Medonha é a escuridão do céu, de extremo a extremo...
De que noite sem luar, mísero e triste, vim?

Amedronta-me a terra, e se a contemplo, tremo.
Que mistério fatal corveja sobre mim?
E ao sentir-me no horror do caos, como um blasfemo,
Não sei por que padeço, e choro, e anseio assim.

A saudade tirita aos meus pés: vai deixando
Atrás de si a mágoa e o sonho... E eu, miserando,
Caminho para a morte alucinado e só.

O naufrágio, meu Deus! Sou um navio sem mastros.
Como custa a minha alma a transformr-se em astros,
Como este corpo custa a desfaer-se em pó!


in 100 poemas essenciais da língua portuguesa, Alphonsus de Guimaraens, Organização Carlos Figueiredo, Editora Leitura, BH, 2001

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MELHORES FILMES: OSCAR 90

O grande vencedor do ano, ganhou 7 das 12 indicações recebidas. Foi também a consagração de Kevin Costner, recebendo o Oscar de melhor filme e melhor diretor, já na estreia. O filme é ainda maravilhosamente fotografado, além da trilha sonora sempre linda de John Barry. É um bom programa, incluindo o toque na temática da relação com as diferenças.
 
 

SÉRIE BITS: POESIA BRASILEIRA


Litogravura

Eu voltava consado como um rio.
No Sumaré altíssimo pulsava
a torre de tevê, tristonha, flava.
Não: voltava humilhado como um tio
bêbado chega à casa de um sobrinho.
Pela ravina, lento, lentamente,
feria-se o luar, num desalinho
de prata sobre a Gávea de meus dias.
Os cães quedaram quietos bruscamente.
Foi no tempo dos bondes: vi um deles
raiar pelo Bar Vinte, borboleta
flamante, touro rútilo, cometa
que se atrsa no cosmo e desespera:
negra, na jaula em fuga, uma pantera.

Passei a mão nos olhos: suntuosa,
negra, na jaula em fuga, ia uma rosa.

in Os cem melhores poemas brasileiros do século, Seleção Ítalo Moriconi, Objetiva, RJ, 2001.      

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

HAPPY BIRTHDAY, MY SWEET LORD.

 
George Harrison faz hoje, dia 25 de fevereiro, 70 anos.  É um guru pra mim. Quando crescer, eu quero ser como ele. Quando entrou no Hall da Fama do Rock and Roll, em 1988: "Não tenho muita coisa a dizer porque sou o beatle calado". Guru não fala, é.