segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

SÉRIE BITS: POESIA BRASILEIRA



V

Se eu disser que vi um pássaro

Sobre o teu sexo, deverias crer?

E se não for verdade, em nada mudará o Universo.

Se eu disser que o desejo é Eternidade

Porque o instante arde interminável

Deverias crer? E se não for verdade

Tantos o disseram que talvez possa ser.

No desejo nos vêm sofomanias, adornos

Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro

Voando sobre o Tejo. Por que não posso

Pontilhar de inocência e poesia

Ossos, sangue, carne, o  agora

E tudo isso em nós que se fará disforme?

Fragmento de Do Desejo, Hilda Hilst, In Os cem melhores poemas brasileiros do século, seleção: Ítalo Moriconi, Objetiva, SP, 2001.

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