terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

SÉRIE BITS: POESIA BRASILEIRA


Litogravura

Eu voltava consado como um rio.
No Sumaré altíssimo pulsava
a torre de tevê, tristonha, flava.
Não: voltava humilhado como um tio
bêbado chega à casa de um sobrinho.
Pela ravina, lento, lentamente,
feria-se o luar, num desalinho
de prata sobre a Gávea de meus dias.
Os cães quedaram quietos bruscamente.
Foi no tempo dos bondes: vi um deles
raiar pelo Bar Vinte, borboleta
flamante, touro rútilo, cometa
que se atrsa no cosmo e desespera:
negra, na jaula em fuga, uma pantera.

Passei a mão nos olhos: suntuosa,
negra, na jaula em fuga, ia uma rosa.

in Os cem melhores poemas brasileiros do século, Seleção Ítalo Moriconi, Objetiva, RJ, 2001.      

Nenhum comentário:

Postar um comentário