quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

SÉRIE BITS: POESIA BRASILEIRA



SEGUNDO DIA



2.1

Não oblitero moscas com palavras.

Uma espécie de canto me ocasiona.

Respeito as oralidades.

Eu escrevo o rumor das palavras.

não sou sandeu de gramáticas.

Só sei o nada aumentado.

Eu sou culpado de mim.

Vou nunca  mais ter nascido em agosto.

No chão de minha voz tem um outono.

Sobre meu rosto vem dormir a noite.

In O Livro das Ignorãças, Manoel de Barros, Civilização Brasileira, RJ, 1993.

Nenhum comentário:

Postar um comentário