segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

SÉRIE BITS: POESIA BRASILEIRA



3. Porque depois do momento exato

Os ponteiros não marcam

Maria

A latente tecedura da tarde

Em tarde sendo assim tão noite

Sobre a noite acesa

Porque na tua porta a dor:

O relógio

Maria

Aponta o tempo cavalgando

O dorso do teu próprio

Invisível corpo



E mais ainda, Maria

Na palavra que construo

Não há certeza alguma

Pois sobre a pele dos poemas

Existem noites e países

Luas e pessoas

E os poetas mentem

Os poetas murcham

Os poetas passam



E algum dia, Maria,

Os poetas nascerão entre nós

Noturnos e desvairados

Como estrelas suicidas que vieram

Se afogar nos oceanos de teu sono

Ou em meu leito árido.



In O Sono Provisório, Antônio Barreto, Editora Francisco Alves, RJ, 1978

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