segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

TARANTINO: para adultos, crescidos e cinéfilos


 Se você é jovem e a humanidade ainda te surpreende, machuca e assusta, não vá. Se você não é mais jovem, mas prefere gastar sua sensibilidade fechando os olhos e negando o lado negro de sua força, também não vá. Se você já encara suas cicatrizes, já viu seu demônio, decidiu que ele não te possuirá e ama cinema vá correndo assistir DJANGO LIVRE. É o gênio demoníaco (isso é pleonasmo no rigor da letra) de Tarantino invadindo outro (e mesmo) universo. Outro porque agora a estética está no western dos bons tempos (saudades de Sam Peckinpah) e mesmo porque, outra vez, mete o dedo (o pé, isto é, os dois) na hipocrisia, na cegueira, na bestialidade humana. Não tem compaixão, não se trata de pôr o dedo na ferida, trata-se de rasgar o abscesso sem piedade. (garanto-lhes que muitas vezes é o único recurso). Ou não se trata de nada disso, trata-se de fazer cinema dos bons.  Enfim, genial outra vez. Tarantino cineasta, psicólogo e filósofo. E delicioso amante do cinema. Mais um pouco (e no futuro... como soe acontecer) dirão que Tarantino foi o Dostoievski do cinema. Dirão? Sei que nesse momento muitos estão com aquele sorrisinho de quem se crê inteligente demais para suportar tal ousadia (dirão ignorância) de simples amante do cinema assim que nem eu. Pois é. Acabei de dizer: no presente, e já passado, porque já disse. Um Dostoievski do cinema. Já dizia o meu pai: ‘Quer ver? Escuta.’  DJANGO LIVRE. E ponto.  
Os atores simplesmente arrasam; estão tão arrebatados que não podem fazer nada senão cair de cabeça na coisa. Mas destaque para Christoph Waltz, de quem, pelo que parece, Tarantino descobriu a veia em Bastardos Inglórios.
VIVA O CINEMA!

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