sexta-feira, 19 de abril de 2013

CENTENÁRIO DE VINICIUS DE MORAES 4

A brusca poesia da mulher amada

Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente... 
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor - oh, a mulher amada é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?

Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...

Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além. 


 

Ariana, a mulher foi publicado em 1936 no Rio de Janeiro. Foram tirados 300 exemplares, numerados de 1 a 300 em edição fora do comércio. O livro compõe-se de um único poema, que lhe dá título. Traz a seguinte dedicatória: "A José Arthur da Frota Moreira - em relembrança".

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